Está ficando a cada dia mais curioso acompanhar o noticiário da crise hídrica que assola a região Sudeste. Corrida aos supermercados para estocar galões e garrafas do líquido precioso (a preços sobrefaturados), aumento dos preços de alimentos devido à falta d´água,..
As ocorrências mais preocupantes são as que afetam os cidadãos mais indefesos. Foi o caso de uma recém-nascida que, durante um apagão que durou 6 horas, recebeu oxigênio por bombeamento manual, a cargo de enfermeiras que se revezaram nesta tarefa exigida e delicada. A outra notícia ruim foi que as hemodiálises de 15.000 hemofílicos estão sendo precarizadas, por serem procedimentos que demanda muita água.
Mas apenas começamos a tomar conhecimento da real ameaça que paira no ar. As chuvas seguem abaixo da média histórica, mantendo a escassez do recurso hídrico por tempo indefinido, e os reservatórios em situação dramática, a energia elétrica em risco de apagão e o atendimento por água potável prejudicado por vazamentos na rede de distribuição e o consumo desenfreado da parte de muitos usuários, especialmente porque a temperatura global, ano a ano, só faz aumentar. Além disso, a região central do país tende a se encontrar cada vez mais seca, consequência da fronteira agrícola que substituiu o Cerrado, cuja vegetação natural favorecia a recarga dos principais rios e aquíferos nacionais.
Frente a estes fatos, a água já deveria ser tratada como questão de segurança nacional e as ações que poderiam tentar revertê-los já precisavam estar a pleno vapor. Mas os poucos planos disponíveis apenas lidam com a transposição de água entre bacias hidrográficas e ampliação do bombeamento de águas subterrâneas. Apenas tiram a água de um lugar e levam a outro, descomprometidos da necessária reposição do líquido, ameaçando exaurir o que ainda está disponível.
Algum brasileiro já ouviu o plano de recuperação de mananciais, APAs (Áreas de Preservação Ambiental) e APPs (Áreas de Preservação Permanente)? Somente florestas conseguem regularizar o ciclo hidrológico e o regime de chuvas. É a única forma.
E a geração de energia elétrica? Alguém já viu os planos de aproveitamento energético solar e eólico nacionais? Ou ao menos o orçamento que vai finalmente estabelecer as linhas de transmissão que vão ligar as usinas eólicas 100% instaladas e inoperantes do Nordeste? Vamos continuar construindo hidrelétricas sobre as hiper-necessárias florestas?
Sem planos, nem ação, a notícia de "Como o Brasil venceu a crise hídrica" não sai tão cedo.
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