sábado, 20 de junho de 2015

Porque estudar a água

1-      A água é um elemento essencial à vida.  Essencial e pouco conhecido:
·         Onde nascem os rios?
·         Porque alguns rios têm mais água que outros?
·         Como funciona um olho d’água, pelo qual a água brota do solo?
·         Porque chove mais em algumas regiões e menos em outras?
2-      Porque tratamos a água que vamos consumir? De onde vem a água que chega nas cidades, nos campos agrícolas? Indústrias podem fazer uso desta mesma água? Quanta água precisamos para manter nossas casas, escolas, hospitais, escritórios, hotéis, banheiras, piscinas, jardins, pesque-pagues, nossa produção agrícola, pecuária, a mineração, os ecossistemas, a vida aquática? Como garantir o suprimento de água para tantos fins?
3-      E mundo afora, como se consegue água potável? Israel recorre à dessalinização da água do mar. A Nigéria recicla o esgoto doméstico. Diversos outros países tratam a água como questão de segurança nacional, os Estados Unidos inclusive. A Guerra pela Água acontecerá? Uma questão como essa, tida como paranoia ambientalista, já consta em encíclica papal, na qual o Papa Francisco faz eco a essa grave preocupação da comunidade científica.
4-      No Brasil, a água potável é para os usos mais nobres, como a dessedentação humana e animal, mas também à lavagem de carros, animais de estimação, fachadas e calçadas. As cidades crescem desordenadamente, demandando volumes de água cada vez maiores, mas perdas altíssimas na rede de distribuição sabotam esses esforços. Ao mesmo tempo, descuidamos dos mananciais e aquíferos, as fontes do recurso.
5-      Mal completamos 100 anos da instalação dos sistemas pioneiros de abastecimento de água das cidades mais importantes; mal iniciamos este Século XXI, e a natureza já nos cobra as décadas irresponsáveis. Os projetos concebidos por engenheiros brilhantes como os Irmãos Rebouças, afrodescendentes, que atuando em diversas frentes, estruturaram uma nação, apesar de sistemáticas ampliações, hoje lutam para evitar o colapso. De lá para cá, nosso conceito de nação desandou, a ponto de o nosso recurso mais abundante faltar. Era possível imaginar a Grande São Paulo, o esteio da nossa Economia, engatinhando no fluxo do volume morto do ‘deserto’ da Cantareira? Alguém imaginava o Rio Amazonas seco? Que nossos enormes reservatórios hidrelétricos estariam vazios quando mais necessitamos?
6-      O Brasil se tornou um exemplo bem acabado de como colocar a humanidade na emergência da seca. Um país que não mais aspira uma nação, mas a ante-sala da Guerra pela Água.
7-      Onde está a solução? Como responder a esse cenário? A resposta está em Brasília? Está nas sedes dos governos e nas assembleias legislativas? Em parte sim e portanto, a resposta recai na nossa atitude nas urnas eleitorais. Depende então de eleitores bem informados, de uma população bem informada. Depende de uma boa gestão do recurso. Depende de você, que se põe a estudar o tema, porque as respostas certas somente serão formuladas por pessoas inteligentes e que entendam do assunto.
8-      O estudo dos recursos hídricos tem hoje as melhores perspectivas como ciência e na mente de cada um que iniciar este caminho e se apaixonar pela água. Inicia em conceitos básicos como a bacia hidrográfica, o ciclo hidrológico e o balanço hídrico, mas não para por aí. Seja bem vindo à Gestão de Recursos Hídricos.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Como o Brasil venceu a crise hídrica

Está ficando a cada dia mais curioso acompanhar o noticiário da crise hídrica que assola a região Sudeste. Corrida aos supermercados para estocar galões e garrafas do líquido precioso (a preços sobrefaturados), aumento dos preços de alimentos devido à falta d´água,..

As ocorrências mais preocupantes são as que afetam os cidadãos mais indefesos. Foi o caso de uma recém-nascida que, durante um apagão que durou 6 horas, recebeu oxigênio por bombeamento manual, a cargo de enfermeiras que se revezaram nesta tarefa exigida e delicada. A outra notícia ruim foi que as hemodiálises de 15.000 hemofílicos estão sendo precarizadas, por serem procedimentos que demanda muita água.

Mas apenas começamos a tomar conhecimento da real ameaça que paira no ar. As chuvas seguem abaixo da média histórica, mantendo a escassez do recurso hídrico por tempo indefinido, e os reservatórios em situação dramática, a energia elétrica em risco de apagão e o atendimento por água potável prejudicado por vazamentos na rede de distribuição e o consumo desenfreado da parte de muitos usuários, especialmente porque a temperatura global, ano a ano, só faz aumentar. Além disso, a região central do país tende a se encontrar cada vez mais seca, consequência da fronteira agrícola que substituiu o Cerrado, cuja vegetação natural favorecia a recarga dos principais rios e aquíferos nacionais.

Frente a estes fatos, a água já deveria ser tratada como questão de segurança nacional e as ações que poderiam tentar revertê-los já precisavam estar a pleno vapor. Mas os poucos planos disponíveis apenas lidam com a transposição de água entre bacias hidrográficas e ampliação do bombeamento de águas subterrâneas. Apenas tiram a água de um lugar e levam a outro, descomprometidos da necessária reposição do líquido, ameaçando exaurir o que ainda está disponível.

Algum brasileiro já ouviu o plano de recuperação de mananciais, APAs (Áreas de Preservação Ambiental) e APPs (Áreas de Preservação Permanente)? Somente florestas conseguem regularizar o ciclo hidrológico e o regime de chuvas. É a única forma.

E a geração de energia elétrica? Alguém já viu os planos de aproveitamento energético solar e eólico nacionais? Ou ao menos o orçamento que vai finalmente estabelecer as linhas de transmissão que vão ligar as usinas eólicas 100% instaladas e inoperantes do Nordeste? Vamos continuar construindo hidrelétricas sobre as hiper-necessárias florestas?

Sem planos, nem ação, a notícia de "Como o Brasil venceu a crise hídrica" não sai tão cedo.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Uma noção de como entramos na crise hídrica

Uma obra em Alto Santo-CE dá uma boa ideia de como o Brasil rumou à atual crise hídrica. Trata-se de um estádio de futebol, mas com as seguintes características:

  • a obra foi construída com apoio do Ministério do Esporte e empréstimo da Caixa;
  • sua fachada milionária imita o Coliseu Romano;
  • sua arquibancada comporta 20.000 pessoas;
  • Alto Santo possui 16.000 habitantes (não 'fecham' a arquibancada);
  • o gramado, irrigado diariamente há mais de 5 anos, ainda aguarda o pontapé inicial;
  • para erguer o estádio foi preciso aterrar um dos três açudes que abastecem a cidade;
  • os dois açudes que sobraram estão com volume baixo e ameaçam deixar a população sem água;
  • Alto Santo não possui time de futebol.

Obra está em andamento há cinco anos (Foto: Juscelino Filho/GLOBOESPORTE.COM)

Referências:

  • http://www.istoe.com.br/reportagens/384562_UM+COLISEU+NO+SERTAO
  • http://g1.globo.com/ceara/noticia/2014/07/prefeitura-aterra-acude-para-construir-coliseu-do-ceara-em-alto-santo.html
Coordenadas: 5° 30' 57,66" S  38° 16' 03,30" W